24 de maio de 2017

A Era Vermelha


No tempo da Era Rubra surgiram os sacrifícios. A Virtude diminui um quarto e os homens, confusos, buscavam a Verdade através de cerimônias religiosas. Havia diferença entre o Divino e o Humano, pois perdeu-se a Identidade. Os homens conseguiam o que desejavam doando e fazendo. A religião que era una, dividiu-se em quatro e a Mente, então, diminuiu; a Verdade declinou para que chegassem as Doenças, os Desejos e as Calamidades. Estabeleceu-se o Pecado e o homem conheceu os castigos e o Medo.    

*Texto adaptado de trecho do conto "As idades do Universo" do livro "A Princesa que Enganou a Morte"  

17 de maio de 2017

A Era Perfeita



Há muito tempo havia apenas uma religião, de modo que não se pensava em conceituá-la, pois não se conhecia divisão. Todos os homens eram santos e não havia deuses nem demônios. Os homens nada compravam e tampouco vendiam e por isso não havia pobreza ou riqueza. Consequentemente, não era preciso trabalhar e tudo era conseguido pelo poder da vontade. O desapego dos desejos mundanos era a maior virtude. Por causa dele, não havia doenças, decadência ou velhice. Não existia ódio, vaidade, maus pensamentos, dor ou medo. O espírito elevado alcançava toda a humanidade, pois todos sabiam que eram parte do superior e infinito. Havia harmonia e reconhecimento e mais nada era necessário. 

*Texto adaptado de trecho do conto "As idades do Universo" do livro "A Princesa que Enganou a Morte"  

11 de maio de 2017

O depoimento de Fezesman

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2 de maio de 2017

A história do primeiro vendedor de laranjas do mundo


Era uma vez um sujeito que tinha um pequeno pomar de laranja em seu quintal. Ele plantou as árvores frutíferas pensando em colher laranjas para si mesmo, mas no momento da colheita há muitas laranjas. Elas irão estragar se ele não as dividir. O que ele faz? Sua primeira ideia é dar laranjas aos seus vizinhos e isto até que funciona num primeiro momento. O problema surge quando há muitos vizinhos querendo laranjas e não há para todos. Então, o homem escolhe aqueles que receberão laranjas. Os que ficam sem, no entanto, revoltam-se e pensam num modo de mudar a situação.  Eles oferecem benefícios/vantagens para o dono das laranjas em troca da fruta. Dê-me suas laranjas e te dou um pedaço de carne; dê-me laranjas e te dou limões. O futuro vendedor, então, começa a trocar suas laranjas por outras coisas que precise ou deseje. 

Agora, os primeiros vizinhos que recebiam laranjas apenas pela benevolência do dono e sem dar nada em troca estão em desvantagem. Para “voltar ao jogo ” eles precisam oferecer algo em troca das laranjas. 

Com o tempo, esta troca de laranjas por outros produtos fica confusa. Um pedaço de carne vale quantas laranjas? E limões? Para resolver o problema o homem tem a ideia de escrever em um papel esta informação: Uma dúzia de laranjas vale um pernil. O dono da carne, por sua vez, faz o seu título de crédito: Um pernil vale duas dúzias de laranjas.

Há um novo problema: não se pode usar laranjas ou pedaços de carne, nem limões para medir o valor das coisas. É necessária uma medida padrão, algo que se aplique a qualquer coisa. Os envolvidos resolvem criar tal papel e convencionam chamá-lo de dinheiro. 

Agora, o vendedor de laranjas cobra certa quantia de dinheiro por dúzias de laranjas. Com este dinheiro ele pode comprar certa quantidade de pernil ou limões e tudo parece bem, mais uma vez. Entretanto, o astuto vendedor de fruta logo percebe que há um custo para colher suas laranjas. O tempo de espera para que amadureçam, o preparo da terra, a colheita no momento certo e a chuva. Estes fatores devem ser levados em consideração na hora de estipular o valor de sua laranja. Assim, ele aumenta o preço da dúzia com base nesta justificativa. O fornecedor de carne entende o raciocínio, o produtor de limão também. Eles fazem o mesmo.