18 de julho de 2017

Clube de Livros Phoculos



Lembram-se que eu havia dito que a Phoculos ia montar um Clube de Livros? Pois então, ele já está montado e você pode assiná-lo agoira mesmo. 

O Clube de Livros Phoculos possui conteúdo inédito de diversos autores. Contos romances e poesias de acordo com a estação do ano:

clique na imagem para ampliá-la

Os planos de assinatura podem ser mensais, trimestrais ou anual. Há a possibilidade de comprar uma estação específica, como o Verão, por exemplo. 

Assim que atingirmos 50 assinantes o Clube vai começar!

Confira os detalhes no link:


Não é o máximo? 

Além receber bons livros, você ajuda a Phoculos a alavancar a carreira de escritores iniciantes!

Abraço. 

  

12 de julho de 2017

Entremundos - Neil Gaiman e Michael Reaves


Uma passada rápida por várias realidades 

Intitulado apenas de "Entremundos" este é o primeiro livro da trilogia de Gaiman e Reaves que aborda o tema multiverso numa pegada mais adolescente. Nele conhecemos Joey Harker, um adolescente estadunidense que tem um senso ruim de direção, capaz de se perder até mesmo entre os cômodos de sua própria casa. Aliás toda a história se desenrola por causa dessa habilidade do protagonista. Em um trabalho de escola, cuja missão é encontrar um ponto específico depois de ser abandonado em um lugar aleatório, Harker descobre que tem uma habilidade especial: ele é capaz de "saltar" para outras realidades. No começo, sem orientação e instintivamente, o personagem principal se vê confuso, mas com o tempo aprende que faz parte de um grupo especial de pessoas, as que são capazes de "andar". Joey Harker é treinado, conhece outras pessoas com a mesma habilidade e é convocado a lutar na guerra entre ciência e magia. Curiosamente (ou não) os seus companheiros de equipe são versões alternativas dele próprio.

Os autores esclarecem que originalmente a saga de Joey deveria ser televisiva. Estes traços são imediatamente notáveis nas páginas do livro que é rápido, dinâmico e sem muitas explicações. Há um começo impactante, um tempo de amadurecimento, um desastre e um desfecho heroico. Os personagens não são bem delineados, embora compreender o protagonista é como entender boa parte deles. A impressão que o leitor tem ao final é de que leu um roteiro, notou uma ideia interessante, mas pouco lapidada. Em suma, trabalhar com conceitos de realidades variáveis é interessante e foi bem colocado pelos autores, mas a sensação ao final da leitura é a de que faltou explorar o campo, introduzir conceitos. É uma leitura mediana, comparada a outras obras de Neil Gaiman e não se justifica pelo fato de ser voltada para um público mais jovem. Há obras do mesmo autor que são incríveis mesmo sendo direcionadas ao público juvenil. 

Fica a resenha. 
Abraço                

30 de junho de 2017

Resultado da promoção "Ester na minha casa!"

Acabei de realizar o sorteio do livro Ester edição clássica entre os seguidores da página Paul Law. Veja só os prints do resultado:

O número 149 foi sorteado

Thayna Diniz Miranda foi a ganhadora!
Parabéns Thayna! Logo entro em contato para obter os dados de envio do livro. Você que participou e não ganhou, não fique triste, pois logo teremos mais sorteios.

Curta a página, fique ligado. 
Abraço! 

21 de junho de 2017

Fezesman - Respeito sua opinião sobre mim

clique na tirinha para ampliá-la

14 de junho de 2017

O Mundo Oito está no Wattpad

Capa principal
Pense em uma história que mistura pinturas famosas, filosofia, joias e viagem no tempo. Estas são as premissas da minha web-série, livro, conto, projeto, ou qualquer coisa parecida que está disponível para ser lida no Wattpad. 

Eis o link:


E a sinopse: 

Imagine um quadro. Agora pense que os personagens desta obra de arte estão vivos, mas presos em suas respectivas posições e funções e que só podem se desvencilhar desta maldição quando ninguém está olhando para a tela. O Mundo Oito é uma dimensão alternativa onde seus habitantes estão presos ao momento, mas tudo isto está prestes a mudar com o uso de joias capazes de transportá-los ao nosso mundo.  


capa do capítulo 2

capa do capítulo 3

Originalmente para cada capítulo havia uma capa especial. Veja todas nesta postagem. Duas delas são pinturas famosas!

capa do capítulo 4
Os personagens das pinturas aparecem na história, assim como algumas celebridades históricas.  

Acompanhe por lá, deixe seu comentário.

Abraço!  

12 de junho de 2017

Um sorriso e um olhar


Penso em amor como um sorriso e um olhar. Um sorriso verdadeiro é bonito, não importa por quantas vezes se repita. Admirar os olhos de alguém que você goste é fascinante. Mesmo que o tempo dê a eles contornos indesejáveis, você ainda vai vê-los como da primeira vez. É mágica, simples assim. 

Muita gente acredita que o tempo é inimigo do amor. O relacionamento esfria, vira rotina. Tem o filhos, as contas, o trabalho. Você mal vê aquela pessoa que está do seu lado. Mas aqui, mais uma vez, acontece a mágica. Basta um olhar, um sorriso e pronto. Tudo parece novo de novo. 

Há quem classifique amor de forma horizontal e vertical; quem o mensure, escreva métodos, fórmulas, mapas. Quer saber? Amor é mágica, só isso. Nos tempos atuais não há outra palavra para defini-lo de forma mais exata. É quando alguém se lembra do seu casaco mesmo que você nunca use um. Quem fecha o portão de casa para você; serve seu jantar. Amor é cuidar do outro não por obrigação, mas por gostar do outro. Por isso, amor não se compra e não se vende. 

Presente é muito bom, mas não substitui a presença. Não substituirá a sensação de vê-la hoje quando eu chegar em casa. Mesmo que ela esteja em seus trajes caseiros, basta um sorriso e um olhar e estarei diante da mulher mais linda do mundo. Mágica, simples assim.             

9 de junho de 2017

A Phoculos vai enviar livros todo mês ajudando autores e aproximando leitores



A Phoculos iniciou um projeto inovador, cujo objetivo é aproximar autores e leitores. É um clube de livros por assinatura, com conteúdo inédito de diversos autores. Contos romances e poesias de acordo com a estação:

  • No Verão, Fantasia e Mistério;
  • No Outorno, Drama e Terror;
  • No Inverno, Ficção científica e Thriller;
  • E na Primavera, Slice of life e Comédia.

Não é o máximo poder receber todo mês um livro inédito? Eu quero participar tanto como leitor como autor e acho incrível esta possibilidade. 

Veja as metas do projeto e os detalhes neste link:


A mensalidade é a partir de R$ 49,50 e além receber bons livros, você ajuda a Phoculos a alavancar a carreira de escritores iniciantes!

Eu quero e você?

Abraço.

1 de junho de 2017

Tem sorteio do livro Ester no fim do mês


No último dia do mês de junho será sorteado mais uma exemplar do livro Ester, edição clássica. As regras para concorrer continuam sendo as mesmas veja:

- Siga a minha página do Facebook:


- Aguarde o sorteio que será no dia 30 de junho. 

Lembrando que todos os seguidores da página concorrerão. Se o sorteado já tiver ganhado o livro, será realizado um novo sorteio. 



O que está esperando para concorrer?
Até logo! 

24 de maio de 2017

A Era Vermelha


No tempo da Era Rubra surgiram os sacrifícios. A Virtude diminui um quarto e os homens, confusos, buscavam a Verdade através de cerimônias religiosas. Havia diferença entre o Divino e o Humano, pois perdeu-se a Identidade. Os homens conseguiam o que desejavam doando e fazendo. A religião que era una, dividiu-se em quatro e a Mente, então, diminuiu; a Verdade declinou para que chegassem as Doenças, os Desejos e as Calamidades. Estabeleceu-se o Pecado e o homem conheceu os castigos e o Medo.    

*Texto adaptado de trecho do conto "As idades do Universo" do livro "A Princesa que Enganou a Morte"  

17 de maio de 2017

A Era Perfeita



Há muito tempo havia apenas uma religião, de modo que não se pensava em conceituá-la, pois não se conhecia divisão. Todos os homens eram santos e não havia deuses nem demônios. Os homens nada compravam e tampouco vendiam e por isso não havia pobreza ou riqueza. Consequentemente, não era preciso trabalhar e tudo era conseguido pelo poder da vontade. O desapego dos desejos mundanos era a maior virtude. Por causa dele, não havia doenças, decadência ou velhice. Não existia ódio, vaidade, maus pensamentos, dor ou medo. O espírito elevado alcançava toda a humanidade, pois todos sabiam que eram parte do superior e infinito. Havia harmonia e reconhecimento e mais nada era necessário. 

*Texto adaptado de trecho do conto "As idades do Universo" do livro "A Princesa que Enganou a Morte"  

11 de maio de 2017

O depoimento de Fezesman

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2 de maio de 2017

A história do primeiro vendedor de laranjas do mundo


Era uma vez um sujeito que tinha um pequeno pomar de laranja em seu quintal. Ele plantou as árvores frutíferas pensando em colher laranjas para si mesmo, mas no momento da colheita há muitas laranjas. Elas irão estragar se ele não as dividir. O que ele faz? Sua primeira ideia é dar laranjas aos seus vizinhos e isto até que funciona num primeiro momento. O problema surge quando há muitos vizinhos querendo laranjas e não há para todos. Então, o homem escolhe aqueles que receberão laranjas. Os que ficam sem, no entanto, revoltam-se e pensam num modo de mudar a situação.  Eles oferecem benefícios/vantagens para o dono das laranjas em troca da fruta. Dê-me suas laranjas e te dou um pedaço de carne; dê-me laranjas e te dou limões. O futuro vendedor, então, começa a trocar suas laranjas por outras coisas que precise ou deseje. 

Agora, os primeiros vizinhos que recebiam laranjas apenas pela benevolência do dono e sem dar nada em troca estão em desvantagem. Para “voltar ao jogo ” eles precisam oferecer algo em troca das laranjas. 

Com o tempo, esta troca de laranjas por outros produtos fica confusa. Um pedaço de carne vale quantas laranjas? E limões? Para resolver o problema o homem tem a ideia de escrever em um papel esta informação: Uma dúzia de laranjas vale um pernil. O dono da carne, por sua vez, faz o seu título de crédito: Um pernil vale duas dúzias de laranjas.

Há um novo problema: não se pode usar laranjas ou pedaços de carne, nem limões para medir o valor das coisas. É necessária uma medida padrão, algo que se aplique a qualquer coisa. Os envolvidos resolvem criar tal papel e convencionam chamá-lo de dinheiro. 

Agora, o vendedor de laranjas cobra certa quantia de dinheiro por dúzias de laranjas. Com este dinheiro ele pode comprar certa quantidade de pernil ou limões e tudo parece bem, mais uma vez. Entretanto, o astuto vendedor de fruta logo percebe que há um custo para colher suas laranjas. O tempo de espera para que amadureçam, o preparo da terra, a colheita no momento certo e a chuva. Estes fatores devem ser levados em consideração na hora de estipular o valor de sua laranja. Assim, ele aumenta o preço da dúzia com base nesta justificativa. O fornecedor de carne entende o raciocínio, o produtor de limão também. Eles fazem o mesmo. 

19 de abril de 2017

O Silêncio das Montanhas - Khaled Hosseini


Crueldade e benevolência são a mesma coisa


O Silêncio das Montanhas é o título do terceiro romance do escritor Khaled Hosseini (já resenhei outra obra do autor aqui). Nele é narrado o dilema de uma pobre família afegã que se vê obrigada a entregar um filho a um casal bem abastado a fim de evitar que todos morram de fome. 

O livro começa com uma história contada por Saboor, pai de Abdullah e Pari, sobre um demônio que de tempos em tempos visitava a aldeia a fim de sequestrar uma pessoa para servir-lhe de alimento. Certa vez o filho predileto de uma pobre família foi o escolhido e o pai se entristeceu tanto que decidiu ir até a casa do demônio para desafiá-lo. Quando chegou ao local pretendido, percebeu que seu filho vivia muito bem ali; tinha uma vida que jamais teria se tivesse vivendo com seus irmãos em casa. O pai inconsolável então percebe a crueldade do demônio. Benevolência e crueldade são íntimas para quem já viveu muito, diz o demônio. Este conto narrado pelo pai dos protagonistas dá uma boa visão do que se trata o enredo do livro todo.  No segundo capítulo a narrativa muda para a terceira pessoa e conhecemos os personagens e os fatos que justificaram a viagem na qual o conto foi narrado, culminando na entrega da menina Pari de apenas três anos para a família Wahdati. 

A partir daí, o autor divide a obra em núcleos que exploram as consequências deste ato. Personagens figuram como principais por um tempo e suas histórias se conectam para criar um enredo maior. Cartas, relatos em primeira pessoa são misturados a narrativa comum no intuito de contar o que houve com os irmãos separados. Muitos anos são visitados e a impressão que fica é a de que tudo está interligado; a realidade daquele povo não muda com as gerações futuras.  

Hosseini é excelente ao contar suas histórias. São carregadas de sentimentos na quantidade certa. Foge ao clichê e prende o leitor imediatamente. O conto que abre o livro é uma ótima introdução. Diferente de em "O Caçador de Pipas", cuja narrativa seguiu mais linear e compacta, aqui, o autor é livre. Esta liberdade exagerada pode confundir o leitor, já que a mudança de núcleo é brusca e descontextualizada (num primeiro momento). Histórias muito diferentes que possuem apenas a mesma pátria como ligação. 

Por sua vez, quando a narrativa se fixa nos personagens centrais inciais, o arremate é emocionante. Em suma, um livro longo, de várias histórias paralelas que se juntam para formar algo maior, emocionante, impactante. 

Ótima leitura. Fica a resenha e a dica.
Abraço.    

13 de abril de 2017

Fezesman - merda mesmo

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10 de abril de 2017

Ganhe "Por que, Pai?" nesta Páscoa

O blog São Tantas Coisas,  a escritora Raíssa Nantes, e outros parceiros darão seis livros de presente nesta Páscoa. Veja a imagem das capas:


Como você pode perceber, o meu livro "Por que, Pai?" está na lista! Para ganhar as seis obras mais marcadores especiais você precisa:

1) Ter endereço de entrega no Brasil;

2) Cumprir as condições em*: https://www.facebook.com/raissanantesromancista/app/228910107186452/  

*O link te levará à página de Facebook da escritora Raíssa Nantes, dentro do aplicativo de sorteio. Neste aplicativo há todas as condições para que o seu nome seja incluído no sorteio.

O sorteio será realizado no dia 03/05/2017.

Boa sorte! 

31 de março de 2017

Momento Exato no jornal

O meu pequeno conto Momento Exato (publicado originalmente no site Phoculos, postagem aqui) saiu na edição de sábado, dia 25/03/2017, do jornal Tribuna do Guaçu. Junto dele uma competente reportagem sobre os meus projetos literários. Veja só:

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Gostaria de agradecer à Luciane Bueno pelo apoio de sempre e ao jornal Tribuna do Guaçu pelo espaço.

Seguimos! 

27 de março de 2017

Fezesman antigo ou atual

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Tem tirinha inédita do Fezesman na Phoculos, veja no link:

http://phoculos.com/variados/279-fezesman-merda-mesmo 

Abraço. 

20 de março de 2017

O primeiro capítulo de La Bandida


Prólogo

"Sangue... droga!" 
  
Um homem que aparentava ter 45 anos sorria ao olhar para a sua futura vítima; seu futuro troféu: 
 — Como é La Bandida? Como vai puxar o gatilho do seu revolver? 
Hum... era verdade! Como a pistoleira mais famosa do New Oeste poderia sacar do seu coldre? Ela estava baleada no braço esquerdo, o seu ponto forte em sacar da arma. O sangue escorria pela sua luva de couro e chegava a lhe causar frio. O direito? Não, não seria possível atirar com a mão destra... 
La Bandida se afastou e encostou-se atrás da parede, respirando com dificuldade. O homem de chapéu negro e de lenço vermelho no pescoço se aproximou acariciando o revolver de prata na sua cintura: 
 — Sabe, Helena, eu nunca pensei que chegaríamos a este ponto, um dia. Quem poderia prever que eu seria o xerife e você a bandida! O mundo dá muitas voltas minha menina... 
Helena! Droga! Era este o seu nome. Já havia até esquecido. A dor lhe fazia esquecer quase tudo. 
O homem se aproximou e agarrou Helena pelo braço ferido e a puxou para si, próprio. Depois deu um soco no rosto da garota fezendo com que seu chapéu negro caísse no barro: 
— Vou facilitar as coisas para você, menina! — Disse ele, ao enfiar a mão no seu próprio coldre e retirar um dos seus revolveres. 
  Depois, o homem colocou a arma na mão direita da pistoleira: 
— Vamos! Segure! 

 “Não dá.” 

A arma caiu na areia barrenta. Os dedos da mão direita de Helena eram fracos. Não suportavam o peso de um colt 45. Aliás, não suportavam quase nada. 
— Assim você me decepciona!  

 “Vou te encher de pólvora, seu desgraçado!” 

— Acabou a brincadeira, La Bandida! Prepare-se, pois teremos nosso tão esperado "gran finale"!   — O homem agarrou a arma que repousava sobre o barro e devolveu ao coldre da moça: 
 — Pronto! Agora você está armada novamente. Vou me afastar e quando o Jack gritar "já", atiraremos! Quem sobreviver paga o funeral do outro. 
 O homem lançou seu olhar negro para a moça e ela reconheceu aqueles olhos. Aliás, aqueles olhos a remeteram para um passado já bem distante e que talvez fosse a hora de relembrar...

13 de março de 2017

O primeiro capítulo de Estela


I
Eu também tenho uma boneca


O dia começou cedo para Ester, Ernesto e Tamires. Ainda não tinha amanhecido quando o trio se encontrava em um dos corredores do Hospital Escola. Era rotina estar ali pelo menos duas vezes na semana. Conheciam pessoas que tinham sina similar e também ocupavam os bancos do lugar naquela oportunidade. Era natural, também, observar a falta de alguém. Fosse pela morte, ou pela cura, havia aqueles que simplesmente sumiam. Ester observava a tudo com novidade. Muitas histórias eram ouvidas ali, mas se perdiam como a própria existência daquelas pessoas. 

Ernesto e Tamires não encaravam a situação da mesma maneira, mas tentavam fazer o que era preciso da melhor forma possível. Assim como as demais pessoas, conversavam sobre o tratamento, instalações e médicos. Vários assuntos surgiam, alguns repetitivos, era verdade. A médica com traços indígenas era um deles. A faxineira toda tatuada, era outro, assim como o bêbado que muitas vezes era posto para fora do local. Uma rotina agitada, tensa e com muita gente, não importava o horário, o que fazia quererem estar em outro local. Mas tinham de estar ali por causa de Ester. 

De repente, algo que não era rotineiro ocorreu. Ouviram choro, passos apressados e conversas. A porta dupla do final do corredor se abriu bruscamente e revelou uma paciente sobre a maca, acompanhada de enfermeiros e familiares. O casal se limitou a inclinar o corpo para facilitar a visão, mas Ester se levantou, atenta ao que vinha.

A maca foi encostada próxima aos acentos ocupados por Ester e sua família. Os funcionários do hospital informaram às três pessoas que acompanhavam a enferma que logo voltariam e afastaram-se ligeiros. Definitivamente, aquilo não era comum, afinal, os pacientes da emergên-cia não ficavam naquela ala. Permaneceu ali um homem, uma mulher e uma menininha que portava uma boneca. O homem conversava com a mulher que chorava. A criança mantinha-se silente, assim como Ester que a tudo observava. Ester se lembrou de que também tinha uma boneca. 

10 de março de 2017

O Mundo Oito na Phoculos


A Phoculos é uma editora voltada ao autor independente. Ela auxilia os autores sem enganá-los ou extorqui-los. Com o intuito de aproximar leitores e autores a editora apresenta um novo  modo de conceber literatura. Conteúdo literário será publicado durante todos os dias da semana por novos autores.

As postagens serão divididas por temas/dias da semana, ou seja, para cada dia haverá um assunto a ser abordado:

Esta é a página inicial do blog da Phoculos
O projeto começou com os escritos dos autores Augusto Júnior, Fagner JB e Paul Law, mas se estenderá a novos participantes. 

Estreei no espaço ontem, dia 09 de março com a primeira parte da série inédita O Mundo Oito: 

 
Mundo Oito é uma terra alternativa onde seus habitantes estão presos ao momento. Tudo isto está prestes a mudar com o uso de joias capazes de transportá-los ao nosso mundo. O Mundo Oito explorará a existência de uma maneira pontual e inovadora. Uma série com personagens que saíram de pinturas famosas...

Confira o link do primeiro capítulo:

O Mundo Oito: I - As joias e o quadro

Espero que gostem. Fiquem atentos aos novos capítulos acompanhando o site da editora ou conferindo as postagens por aqui.

Abraço.     

6 de março de 2017

Resultado do sorteio da promoção Ester clássico em minha casa!

Prezados amigos, venho divulgar o resultado do sorteio da promoção que dará um exemplar do livro Ester edição clássica aos seguidores da página Paul Law do Facebook. 

Utilizei o site Sorteador para o sorteio de um número de 01 a 302 (o número de acompanhantes da página). Para cada seguidor foi atribuído um número para o sorteio. 



O número sorteado foi o 279:


 Que corresponde ao da concorrente Helena Semedo:


Parabéns à ganhadora! Aos demais concorrentes fica o agradecimento. Lembrando que em breve teremos novo sorteio e todos podem concorrer novamente. 

Abraço,

3 de março de 2017

Diário de um Banana de Jeff Kinney


Fiquem com os quadrinhos

Diário de um Banana é o primeiro livro da série homônima de Jeff Kinney, cuja proposta é apresentar ao leitor uma narrativa mista. Enquanto narra a história do adolescente Greg, Kinney ilustra os acontecimentos com pequenas histórias em quadrinhos.

Neste primeiro livro é contada a rotina escolar de Greg e sua intenção de se destacar. O autor também explora a amizade do protagonista com Rowley, um sujeito bobo e esquisito, mas de bom coração. Os capítulos são pontuados com dias da semana e em quase todas as páginas há uma ilustração do autor contextualizando o texto escrito. O recurso funciona bem, dinâmico, natural, concebendo ao leitor uma experiência interessante. Destaque para a parte em que o protagonista e seu amigo estão criando tirinhas para o jornal da escola, oportunidade em que o leitor se depara com exemplos de tiras engraçadas e bem feitas. 

Em contrapartida, o texto narrativo em sua maioria é pobre. O protagonista Greg não tem uma personalidade definida nem é interessante. Não há qualquer amadurecimento do personagem, apreensão de valor ou superação de obstáculo. Há discriminação, intolerância e falsidade nas páginas de Diário de um Banana. A narrativa tenta ser linear, mas não precisa começo, meio e fim da história, dando ao leitor a impressão de ideias avulsas e aleatórias.

Sucesso de venda por seus próprios méritos Diário de um Banana é um livro inovador por misturar quadrinhos á narrativa tradicional. Entretanto não é recomendável para o público para o qual foi concebido (crianças e adolescentes) por apresentar um personagem ruim e que dá maus exemplos. 

Em resumo, é recomendável esquecer o texto e focar nos quadrinhos. 

Fica a pequena resenha. 
Abraço.

1 de março de 2017

Faltam quatro dias para o sorteio de Ester!


É isso mesmo, faltam apenas quatro dias para o sorteio de um exemplar do meu livro Ester, edição clássica. 

Para concorrer você só precisa seguir a minha página no Facebook:


Depois é só esperar o sorteio no dia 06/03, ás 15h. O livro será enviado ao ganhador pelo correio. 

Olha só a capa completa do livro:


Lembrando que todos os seguidores da página concorrerão.
Abraço!

9 de fevereiro de 2017

O Primeiro Capítulo de Edissa


I
O Encontro com Rei Remorso

Edissa caminhou por muitos dias sem rumo certo. Ela andou sem nada de importante para encontrar e se encontrasse não faria muita diferença. Estava doente e para os doentes tudo parece ruim. 
A moça de idade pareada a de uma adolescente de quinze anos, possuía cabelos negros, compridos e formados por grandes cachos, mas o que chamava a atenção de quem a via eram os dedos em carne viva por causa da doença. Havia também feridas grandes que pipocavam sua pele pálida. Iam dos braços até as pernas, na altura dos joelhos. Seus olhos avermelhados eram emoldurados por maquiagem forte e o rosto por algumas cicatrizes, ao passo que os lábios eram contornados por batom negro. Feridas secas, mas algumas novas preenchiam sua testa e bochecha. Trajava um vestido maltrapilho preto com alguns detalhes em vermelho que deixavam seus ombros descobertos. Andava sempre descalça. 
Que tinha? Pensava consigo. As pessoas agora tinham repulsa de sua presença. Viam-na como lixo humano e talvez fosse mesmo algo dessa natureza, mas estava tão evidente assim?
Numa dada altura de caminhada, Edissa viu uma carruagem estacionada. Revoada de corvos veio do horizonte, chegavam aos muitos e voavam em círculo sobre sua cabeça. O crocitar foi estarrecedor e só perdeu volume quando a porta da carruagem negra se abriu, revelando um homem velho de capuz marrom e de lanterna na mão. Os corvos saudaram seu senhor com rasantes e os cavalos relincharam.
— Saudações, Edissa! Que belos olhos você tem! — Aproximou-se o velho com essas palavras. 
— Estou doente! O senhor sabe como posso ser curada? 
— Pois é certo que sei! Foi por isso que vim! 
— Ah que alívio! Minhas feridas doem! 
— Venha em minha carruagem e te levarei para a Vila do Arrependimento, local onde reino. Lá haverá um modo de curá-la! 
Edissa achou estranha aquela proposta:
— Vila do Arrependimento? E para que serve?
— Para abrigar aqueles que se arrependem, não é óbvio? Eu sou Remorso, senhor do Arrependimento! 
— O que é arrependimento? 
Remorso suspirou e corvos pousaram em seu ombro:
— Toda vez que fazemos algo e depois desejamos não ter feito é arrependimento! A culpa por aquilo que fazemos e depois achamos errados, me entende?
Edissa abaixou a cabeça:
— Entendo. Agora sei a razão da sua visita. Sou mesma alguém que carece viver na Vila do Arrependimento. 
Remorso deixou o sorriso amarelo saltar da sua face coberta por capuz. Os corvos voaram e ele disse:
— Em meu reino todo mundo é igual a você! São pessoas que se arrependem em vão. Em vão porque já é tarde para elas. 
— Da mesma forma que é para mim — Edissa continuava com a cabeça baixa. 
— Exatamente! Arrepender-se por aquilo que já foi feito é sempre tardio. Como poderíamos voltar no tempo e não fazer aquilo? Não há como! 
— Não há mesmo.  
— Então venha, criança! Permita-me levá-la ao meu Império de Arrependimento. Suba em minha carruagem! 
Edissa levantou sua mão ferida para que Remorso lhe ajudasse na subida. Galgou o primeiro degrau e depois se sentou, seguida de seu novo conhecido. A porta se fechou e a carruagem começou a se mover. 
Ao ganhar impulso, os cavalos alçaram voo e Edissa admirou da janelinha as árvores e vilarejos que se faziam lá em baixo. Quando estava quase anoitecendo, os cavalos voadores iniciaram a decida rumo às terras de Rei Remorso. Pararam em frente a uma escadaria de mármore que antecedia a entrada de um vasto palácio dourado:
— Mas que bonito! — admirou Edissa.
— Estamos no centro do Vale da Culpa e ao nosso redor estão todas as pessoas de que falei! Estão todos os que se arrependem! Vivem aqui. — disse Rei Remorso, explicando que ficava no castelo enquanto todos os outros permaneciam no aparente vilarejo que se fazia em volta. 
— Meu senhor — Edissa se voltou para o rei —, quando poderei receber minha cura?
O velho sorriu malicioso e por um instante pareceu que iria curar Edissa instantaneamente:
— Eu menti sobre curá-la — Rei Remorso virou de costas e fez um sinal para os soldados que guardavam a entrada do seu castelo. — Levem-na! — disse por fim.

6 de fevereiro de 2017

Você pode ganhar a edição clássica de Ester!




É isso mesmo! A promoção que sorteia exemplares do livro Ester 1ª edição está de volta. Para concorrer é muito simples:

- Siga a minha página do Facebook:


- Aguarde o sorteio que será no dia 06 de março. 

Lembrando que todos os seguidores da página concorrerão. Se o sorteado já tiver ganhado o livro, será realizado um novo sorteio. 

A ideia é prestigiar os amigos. Seja um, participe! 
Abraço. 



Comprar 


   

1 de fevereiro de 2017

A Hora da Estrela - Clarice Lispector


A vida é um soco no estômago 

A Hora da Estrela é o último romance de Clarice Lispector. Narrado por Rodrigo S.M., alter-ego da importante escritora modernista, conta a história de uma nordestina. Não linear de linguagem complexa e de divagações pontuais, A Horta da Estrela é uma obra única, constituída em sua maioria por texto introdutório. Arquitetada de forma não convencional, já que o autor/narrador intercala a apresentação do tema com suas próprias conclusões, a Hora da Estrela é sutil, intensa e profunda. 

Tudo começa com o próprio Rodrigo dizendo que pretende contar a história de uma nordestina que veio ao Rio de Janeiro em busca de vida melhor. Enquanto vai apresentando sua personagem e o mundo no qual está inserida, vai dando detalhes de si mesmo e como sua visão interfere no próprio destino de Macabéa (este é o nome da alagoana, personagem principal do livro). O ponto em que deixamos as divagações do autor e adentramos verdadeiramente na vida de Macabéa é leve, sutil, quase que natural. As histórias se ligam facilmente. Rodrigo interrompe por várias vezes o relato que faz da vida da nordestina a fim de contar algo alheio, mas retoma a narrativa naturalmente. Há ocasiões em que salta no tempo, regride, costura, interrompe, de modo que o entendimento do seu leitor se torne fragmentado. Passa-se muito tempo anunciando uma grande história, um ápice, clímax, a hora da estrela. Quando ele ocorre, no entanto, é como um soco no estômago. 

Clarice escolheu uma personagem invisível aos olhos do mundo para dar-lhe voz e importância. Entalhou com maestria traços de realidade no lúdico, na arte. Há um processo de embelezamento  em A Hora da Estrela. Olhos atentos... Macabéa sempre soube o seu lugar no mundo e estava bem com isso. Só ideias alheias puderam lhe trazer novos pensamentos (sua desgraça ou salvação) Ao final, o que permanecesse são os momentos que nunca são vividos, a esperança (todo mundo tem esperança).

Um caminhão, um momento de glória e mais nada. 

A Hora da Estrela é um livro curto, intenso e perturbador. Complexo por sua construção, belo por natureza. Confesso que nunca havia lido algo assim. 

Fica a resenha e a dica.   


27 de janeiro de 2017

Dom Casmurro mais uma vez



Quando comecei a me interessar por livros, estabeleci algumas regras básicas. Uma delas era a de não ler mais de uma obra do mesmo autor, posto que há tantos autores e tantos livros que minha vida seria insignificante para conhecê-los. Com esta "lei de sobrevivência" acreditei que aproveitaria os meus anos da melhor maneira possível. Contudo, não tardei a descumpri-la; a cometer o crime de ler mais de um livro de mesmo autor. Os motivos para a infração são óbvios: quando um autor nos agrada, desejamos lê-lo novamente. Aqui mesmo verá que há autores recorrentes, mas ainda não houve livros.

Até agora.

Peguei-me relendo Dom Casmurro. Primeiro algumas partes para matar a saudade, depois para conferir se o tempo me havia dado olhos novos, assim como as leituras capacidade de compreender além. Verdade não mudei muito, mas o pouco basta para um novo texto sobre a obra. Talvez mais de um. Isto nem é importante, já que uso o espaço de hoje para justificar um futuro texto (que talvez nem chegue a ganhar publicação). Nas páginas do próprio Dom Casmurro há muitos capítulos introdutórios, fomentadores de expectativas que muitas vezes não passam disso mesmo: expectativas.

Entretanto, o amigo que veio até aqui não sairá de mãos vazias. 

Algo que esta nova leitura me fez compreender foi que Dom Casmurro não é uma obra sobre a intolerância. No introdutório da edição que reli, começa-se afirmando que trata-se de um romance sobre intolerância. Peço desculpas ao nobre pesquisador que assim o definiu, mas se fosse possível definir Dom Casmurro com uma frase, aos meus olhos, seria como um romance que trata do psicológico do ser humano. Neste campo, creio ser adequado estabelecê-lo. Os motivos são sutis, um contraste à intolerância. Inicialmente, justificam-se pela própria narração, os olhos de Bentinho distorcidos pelo tempo, pelas emoções e pela imaginação. Quem pode atestar, afinal, que ele é honesto com seu leitor? Escreve um diário de fato, mas há segredos que não confiamos nem mesmo às páginas particulares. Mesmo que pense diferente é certo que Santiago tem intenção de ver suas memórias publicadas. O amigo que me acompanha crê que não interferiria na própria história para dar-lhe mais brio aos olhos alheios se tivesse oportunidade? Há muito subjetivismo nas páginas de Dom Casmurro. 

Assim, há de se ponderar que a intolerância, o sentimento de não aceitar; não crer na possibilidade; repudiar, ser avesso, contrário, não pode existir sem que o narrador se convença de que exista. Convencer a si mesmo é a parte mais difícil e eis aí o objetivo em "unir as duas pontas da vida". Parte da riqueza do texto está contida aí; na verdade que nunca poderá ser elucidada. 

Disse que não sairia de mãos vazias, mas nem cheias. Apenas uma opinião de leitor.

Talvez uma terceira leitura seja necessária.                 

25 de janeiro de 2017

Fezesman - Contraditório

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23 de janeiro de 2017

Crônicas de Ester: O Pedido de Ádria


O pedido de Ádria

Jorge era exímio lutador, mas não era páreo para todos os demais cavaleiros virtuosos. Venceu alguns com sua espada, feriu outros, mas logo teve sua arma desprendida do braço. Rendeu-se. Miranda acompanhou tudo apreensiva.
— Ela escolheu a mim! — argumentou o líder.
— Não a ouvimos dizer isto.
— Pois diga, Miranda. Diga a eles que vamos nos casar!
— Não — falou Miranda — Caso-me com o cavaleiro mais habilidoso.
José Mendonça que a tudo ouvia, exaltou-se.
— Eles se matarão! Tens consciência disso?
Miranda deu de ombros. Falou-lhe:
— Não aceitarei nada além do melhor. Não sou gorda e feia como antes.
Notando que disputavam a mão da mulher mais bela do mundo os cavaleiros desfizeram a união de até então. A luta deveria ser individual e neste ponto, Jorge recuperou sua vantagem. Hipnotizado por Miranda, atacou os próprios companheiros, vencendo-os um a um, até permanecer sozinho diante da dama.
— Matei todos os meus adversários para que reconhecesse minha bravura. Sou digno de ser teu marido.
— Tens razão, és digno. Casaremos.

Um dos cavaleiros virtuosos sobreviveu à disputa por Miranda e correu relatar tudo para rainha. Ele chegou ao reino de Ádria dias depois e informou que Sir Jorge havia enlouquecido, dizimando toda a sua tropa de cavaleiros e que casaria com uma dama muito bonita, cujo nome era Miranda. A rainha se enfureceu. Dispensou o virtuoso e caminhou até a saída do salão do trono.
— Preciso de sua ajuda, meu pai.
Depois de dizer a si mesma estas palavras, a rainha dirigiu-se até o antigo calabouço no qual permaneceu morta e presa com o marido tempos atrás. Ela sabia que o local era mágico. Sabia, também, como pedir ajuda dali. Suas decisões como chefe de governo, muitas vezes vinham de lá.
O lugar estava infestado de serpentes. As cobras capazes de transitar entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Ádria tinha poder sobre elas, desde sua ressureição.
— Tragam-me meu pai — ordenou.
Todas as cobras entraram na tumba da rainha e uma luz rubra emanou de lá. Mãos humanas apareceram, antecedendo um corpo forte e nu. O homem se sentou. Sua pele era alva e brilhante. Não dispunha de cabelos, o corpo todo marcado por símbolos mágicos.
— Filha boa, o que desejas?
— Vingar-me. Dê-me o poder para tanto.
— Sabes melhor do que ninguém que nada do que disponho é de graça. O que tens para me dar em troca?
— Do que precisas?
O homem falecido abriu os braços precários. Respondeu:
         — Dê-me um corpo de carne.


Para conferir todas as crônicas e entender o momento da história clique aqui. 

19 de janeiro de 2017

Voltando a Fita 2016 - parte 2


Sigo com a retrospectiva 2016, agora com a segunda e última parte. Julho foi o mês de resenhar o livro "Aos Pés do Mestre" e "O Universo de Carime". Fezesman esteve presente com as tirinhas "Na Merda" e "Fezes Guru". Divulguei a capa e a sinopse do meu livro "Por que, Pai?" e publiquei um texto sobre o Superman dos quadrinhos.

Em agosto resenhei "O Diário de Anne Frank" e divulguei o link para comprar "Por que, Pai?". Fezesman teve tirinha inspirada em Pokemon Go! Fechei o mês resenhando "Pétreos" de Everton Moreira. Já em setembro Fezesman teve duas tirinhas: Fezes de Ouro e Eleições. O mês foi muito importante por causa do lançamento do livro "Por que, Pai?". Ah, teve resenha do livro do meu amigo Afonso J. Santos.

Outubro teve resenha do livro "Eterna Promessa" e Meio Sol Amarelo". Fezesman alterou sua foto de perfil em homenagem ao Dia das Crianças e anunciei que doze capítulos de Estela estavam disponíveis gratuitamente para leitura. No penúltimo mês do ano três livros foram resenhados: Trono de Vidro, A Guardiã de Histórias e Elogio à Loucura (este último de uma escritora aqui de Mogi Guaçu). Fesesman deu as caras com a tirinha "Pensamento de Merda". Em dezembro tivemos apenas três postagens, destaque para o Fezesman com "Quem você Salvaria?" e o comentário para o conto "A Vendedora de Fósforos"

Chegamos ao fim do nosso Voltando a Fita, desejando um 2017 de sucesso para todos. Que na próxima retrospectiva tenhamos muitas alegrias para relembrar. 

Grande abraço.   

13 de janeiro de 2017

Curiosidades sobre as postagens "Voltando a Fita"

Faz alguns anos que o mês de janeiro aqui do blog é marcado por uma retrospectiva intitulada de "Voltando a Fita". Hoje vamos comentar algumas curiosidades sobre esta tradição, o que acha?

A estreia do título ocorreu no ano de 2012 com o resumo de postagens de 2011. Clique aqui para conferir a postagem original. Já no ano de estreia a retrospectiva foi dividida em duas partes para não ficar longa e cansativa (a segunda parte pode ser lida aqui).

Todo ano é utilizada a imagem de uma fita k7 para ilustrar as postagens, veja:

Uma de 2012

2013

2014

2015


2016


O texto das postagens de "Voltando a Fita" são marcados por hiperlinks que remetem o leitor à postagens completas referenciadas. 

O ano de maior retrospectiva foi o de 2012, já que o ano anterior é, até o momento, o período de maior postagem da história do blog. 

Gostaram das curiosidades? 
Abraço! 

11 de janeiro de 2017

O Primeiro Capítulo de Ester



Capítulo I
Era uma vez

— Por acaso sabe como faço para voltar a minha casa? — perguntou Ester àquele homem que encontrara em seu caminho
O homem surpreso pela pergunta e por ver mais alguém além de si por ali, virou-se para a interrogadora:
— Onde moras? — baforou a fumaça do cigarro que fumava.
— Moro na Rua das Seriemas! Na cidade — Ester colocou a mão sobre os olhos para protegê-los do sol.
— Cidade? Acho que não há nenhuma por estas bandas.
A criança suspirou. Era uma menininha de oito anos e de pele clarinha, já toda vermelha por causa do sol. Tinha o vestido azulado com algumas rendas brancas, bem judiado pelo tempo. Seus cabelos eram dourados, tecidos por cachos grandes. Os olhos de um azul esverdeado e suas bochechas bastante rosadas. Carregava consigo uma boneca de louça de madeixas lisas e amareladas cujo nome era Amélia.
— Mas eu sei quem pode ajudá-la — o homem jogou a bituca do cigarro no chão árido e pisou sobre ela. — O Mascate Zeca vende de tudo e certamente terá um caminho para casa que possa vender a você.
Ester se alegrou como da oportunidade em que avistara aquele pálido e magro senhor.
— Oh! Que maravilha! Onde eu encontro esse tal mascate? — depois de dizer, refletiu — E o que é um mascate?
— Mascate é toda pessoa que vive do comércio! Aqueles que vendem as coisas, entende?
A menininha assentiu com toda a sua atenção, mas então, antes que sua primeira pergunta fosse respondida ouviu-se passos firmes. Ester colocou a mão sobre os olhos mais uma vez e fitou um pequeno exército que se aproximava. Eles vestiam vermelho e lembravam muito soldadinhos de chumbo. O homem pálido que agora parecia desolado procurou outro cigarro em sua camisa rasgada:
— Lá vêm eles.
— São seus amigos? — Ester quis saber.
— Não — o homem acendeu outro cigarro. — Eles são soldados. Estão aqui para me matar de novo — baforou.
Ester colocou a mão nos lábios, assustada:
— Matar você? Por que não foge?
— De que me adiantaria? Se escapar hoje, amanhã não terei a mesma sorte. Morro uma vez por dia.
— Que fez para merecer esse castigo?
O homem magro e pálido tinha os cabelos pintados pela poeira. Suas vestes, que estavam em farrapos, consistiam em uma camisa xadrez velha e uma calça jeans desbotada. Tinha quarenta anos, ou um pouco mais e os olhos de um castanho cansado.
— Morrer todos os dias é a pena que recebi por ter cometido um crime — respondeu ele.
Ester não pôde entender o que significava crime e nem pena. Sabia que era algo muito ruim, tirando por base a cara de leite azedo que seu novo amigo tinha feito:
— Venha comigo! Vamos fugir — a menina agarrou o braço do homem.
— Não vai adiantar.
— Claro que vai! — a criança forçou para arrastar o desanimado — Corra!
Os solados de vermelho que estavam mais próximos sacaram seus rifles de forma sincronizada e ao mesmo tempo em que marchavam, miraram para a dupla que pretendia fugir. Ao som dos disparos das armas de fogo, Ester e seu novo amigo dispararam deserto adentro em fuga. Como os soldados andavam apenas em ritmo de marcha militar, com um pouco de esforço, conseguiram escapar.
Os pezinhos de Ester que batiam com força sobre o solo árido daquela região, seguidos pelos do homem que deveria morrer todos os dias, não descansaram até que não se ouviu mais nenhum disparo e nem o som das botinas dos soldados.
— Estamos salvos! — a  pequena olhou para trás e não viu nenhum inimigo. — Que bom.
— Passarei a noite vivo dessa vez — sorriu o homem.
— Como chamas? Estamos a conversar e ainda não sei o seu nome.
— Minha graça é Baltazar e a sua?
— Chamo-me Ester; como minha falecida avó se chamava.
— Falecida? Por quantas vezes?
— Ah não! De onde venho, falece-se apenas uma vez.
— Entendo — fez-se uma pausa de alguns segundos. — Como me ajudou a escapar dos soldados eu vou levá-la ao Mascate! — Baltazar mesmo quebrou a quietude.
Ester havia se esquecido! O Mascate Zeca lhe ajudaria a voltar para casa. Baltazar disse que ele poderia vender-lhe um caminho de volta.
— Sim, Baltazar! Eu ficaria imensamente grata!
O homem magro sorriu e balançou sua cabeça:
— Pois então me siga!

O Deserto onde a menina Ester tinha encontrado Baltazar era um local muito estranho. De dia era extremamente quente e durante a noite, muito frio. Não havia árvores, casas ou pessoas por aquelas bandas. Existiam apenas montes e montes de areia, um maior que o outro. Ester chamou-os de colinas de areia. Não era possível saber para onde deveria se seguir, pois todos os caminhos pareciam levar a lugar algum. Contudo, Baltazar sabia bem para onde seguir, notou Ester. Ele tinha convicção em seus passos, como se vivesse por ali por muito tempo, bem diferente dela. Quando o sol ia se escondendo por entre as colinas de areia, Baltazar parou:
— Veja, Ester! O pôr-do-sol! Faz tempo que não vejo um. Sempre estou morto quando ele acontece.
Então, Ester e Baltazar ficaram ali por alguns minutos até que o sol se escondesse por completo e o frio substituísse o calor escaldante. Tudo da noite para o homem pálido era maravilhoso, dado o tempo que ficara sem ver aquelas coisas. Comentava com Ester todas aquelas belezas enquanto caminhava para o local onde estava o Mascate. Dizia da lua, das estrelas, do acinzentado das cores pela falta de luz e do barulho do vento.
— Brrrrr, estou com frio! — a menina agarrou seus ombrinhos.
— O Deserto é assim durante a noite!
— Não sente frio?
— Sinto! Mas gosto de senti-lo! Faz tempo que não o sentia por estar morto.
— Você é maluco — Ester franziu a testa.
Baltazar sorriu e depois continuou:
— Caminhamos por muito tempo! Acho que podemos ficar por aqui para descansarmos para a caminhada de amanhã. Está muito escuro e frio para continuar — Baltazar colocou a mão em cima da cabeça amarela de Ester.
— Está bem! — assentiu a menina.
— Estou ansioso para dormir! Faz muitos anos que não sei o que é dormir!
— Eu bem sei! Você está sempre morto quando é chegado o momento de dormir — Ester imitou Baltazar falando.
— Isso mesmo!
O homem magro deitou sobre a areia quente daquele deserto e fechou os olhos.
— Deite-se na areia! Apesar do frio provocado pelo vento, o chão ainda está quente por causa do calor do dia.
A menina fez o que Baltazar tinha lhe dito:
— Que delícia! Esta areia está tão quentinha! — ela se enfiou por de baixo de um montinho de areia.
— Boa noite, criança! — disse o homem por fim.
Ester lhe respondeu:
— Boa noite.
Então os olhos se tornaram pesados demais e a dupla dormiu ali sob a guarda das estrelas e sob o calor da areia. Ester infelizmente não pôde dormir por muito tempo, pois uma voz fininha lhe chamou do mundo dos sonhos.
— Ester! Acorde! — dizia.
A menina abriu um olho e fez uma careta de sono. Aos poucos a imagem de sua boneca de louça foi se formando em frente as suas vistas. Ester distinguiu o vestido avermelhado e de rendas brancas de Amélia que sacudia com o vento.
— Vamos brincar! — a boneca cruzou os braços. — Desde que nos perdemos de casa você não brinca comigo.
— Desculpe-me, Amélia! Ando preocupada por estar longe de casa. Por que não dorme como Baltazar?
— Bonecas não dormem! — Amélia fez uma careta — Nós brincamos!
— Ah, estou cansada! Andei o dia todo, não quero brincar com você.
— Você não gosta mais de mim! — Amélia saiu correndo pela areia daquele deserto.
— Não é isso! Amélia, volte aqui!
Ester afastou a areia que cobria o seu corpo e se levantou apressada. Correu atrás da sua boneca, deserto adentro.
— Volte aqui! — gritou a menina.
Ao longe, Ester viu a boneca parada perto de uma mulher. Ao se aproximar, a garota pôde notar que se tratava de uma moça muito bonita, tinha os cabelos lisos e compridos, extremamente negros. Vestia branco e estava descalça. Mais perto, Ester parou de correr e viu que a mulher tinha o rosto ameno e o olhar de um azul que se parecia muito com cinza.
— Boa noite! — disse a menina. — perdoe-me por incomodá-la, mas minha boneca fugiu e vim buscá-la!
— Boa noite! — disse a mulher com desdém. — É um prazer receber vocês aqui no Deserto — a mulher suspirou e fitou as estrelas.
— O prazer é todo meu! Por acaso você sabe como faço para voltar para casa? Baltazar está me ajudando, mas talvez você possa ser mais eficiente do que ele! Não sei como vim parar aqui.
A mulher continuou a observar as estrelas como se não tivesse ouvido uma só palavra do que Ester tinha dito.
— A senhora parece tão estranha. Fala que é um prazer nos receber quando seu coração parece dizer o contrário. — a criança abaixou a cabeça.
— Ora, menina! Que ousadia! Eu digo a verdade! — finalmente a mulher olhou para Ester com seus olhos acinzentados.
— Desculpe-me — Ester começou a desenhar com o pé na areia quente. — Não era minha intenção ofendê-la.
— Não ofendeu.
— Ah, que bom! — a criança sorriu.
— E ainda fica feliz! — a mulher cruzou os braços e voltou a fitar as estrelas.
Ester não conseguia compreender aquela moça, resolveu mudar de assunto:
— Como é o seu nome?
— Chamo-me Maria Falsa.
— Eu me chamo Ester, como minha falecida avó. Esta fujona aqui é Amélia.
— Linda a sua bonequinha — Maria Falsa fez uma cara de nojo. — Eu adoraria brincar com ela caso não tivesse que ir embora.
— Ah, mas já vai? — Ester ficou triste.
Maria Falsa sorriu e disse:
— Corta meu coração, mas preciso ir — saiu saltitando e desapareceu pela noite.
— Mulher estranha — Amélia ergueu os braços para que Ester pudesse lhe pegar.