28 de abril de 2016

Deuses Americanos


Novo mundo, velhos deuses

Deuses Americanos é a obra ficcional de Neil Gaiman que mistura várias mitologias e atualidade. Através do misterioso Shadow, o autor explora um mundo invisível povoado por deuses decadentes que se estabeleceram nos Estados Unidos da América. Já resenhei outra obra do autor "O Oceano no Fim do Caminho" (a resenha pode ser lida aqui). 

Shadow é um presidiário em véspera de ser solto. Aliás, sua soltura é adiantada por um evento terrível: sua esposa Laura acaba de falecer. Enquanto viaja para sua cidade, o protagonista conhece um sujeito estranho, denominado Wednesday. Eles conversam mesmo contra a vontade de Shadow. Wednesday oferece um emprego ao ex-presidiário, ele nega, já que tinha se comprometido a trabalhar em uma academia de musculação de um amigo em sua cidade. A presença de Wednesday aborrece Shadow. Ele resolve deixar o avião que vinha viajando e seguir de carro para casa. No caminho, após uma parada para alimentação, o protagonista reencontra o estranho que lhe ofereceu emprego. Há confusão no bar, Shadow aprende um truque com moedas. Quando ele chega ao velório da sua esposa, descobre que ela morreu na companhia doe amigo que lhe daria emprego na academia de musculação. Shadow descobre que sua esposa o traía com este amigo.  Ele fica decepcionado e resolve aceitar o emprego de Wednesday. Antes de sair do cemitério, joga a moeda que ganhou no bar enquanto aprendia o truque na cova de Laura. Esta aí o começo para uma aventura inusitada, onde mortos se levantam, deuses fumam constantemente, e um inimigo poderoso precisa ser vencido. 

Num tom muito semelhante ao quadrinho Sandman Estação das Brumas, Deuses Americanos é mais abrangente (possui mais de quinhentas páginas). Tanto no famoso quadrinho da década de 90, quanto no livro o enrendo envolve criaturas míticas, deuses e como elas se comportam na sociedade atual. 

Deuses Americanos é narrado em terceira pessoa, o que dá a liberdade ao autor de poder deixar o núcleo principal da história e contar enredos paralelos. Em alguns pontos Gaiman abandona Shadow para contar como certos deuses chegaram aos Estados Unidos e isto foi ruim. A quebra na narrativa é acentuada, brusca e frustrante. Há momentos em que a saga de Shadow e Wednesday está no ápice e é interrompida por uma história paralela fria de um deus qualquer. Obviamente o autor se preocupou em contar histórias de deuses que figurariam no embate principal da obra. Também é inquestionável o seu conhecimento sobre as várias divindades existentes. Há outras obras do autor que exploram criaturas divinas. 

Por outro lado, o enredo principal é muito interessante. Prende o leitor imediatamente, já que faz uso de criaturas fantásticas se envolvendo com um ser humano comum. Destaque para a participação especial da esposa de Shadow que é uma criatura "singular". Outro ponto forte são os inimigos dos deuses: os novos deuses. Gaiman faz uma analogia pertinente sobre o que julgamos importante nos dias de hoje e a idolatria que havia no passado aos deuses. Ele trabalha o que a humanidade entende por extremamente necessário como novos deuses. Para Wednesday e seus conterrâneos, estas divindades são conhecidas como falsos deuses.  Ainda é importante frisar que o final é surpreendente. Apesar dos indícios de que duas forças opostas existem e de que se enfrentarão, o desfecho para o livro é original. Shadow ganha mais importância, numa espécie de herói da ocasião.                      

Por fim, Deuses Americanos é um livro longo que explora as divindades de diversos povos que migraram para os Estados Unidos junto daqueles que acreditavam neles. Nas terras do Tio Sam não há espaço para deuses e eles precisam fazer alguma coisa para continuarem existindo. É isso que eles fazem nas páginas da obra, ao passo que o protagonista Shadow é uma peça neste jogo. A ruptura no núcleo principal incomoda, mas não tira o mérito do desfecho.

Fica a resenha e a dica. 
Abraço. 

26 de abril de 2016

Fezesman: Que merda você fez?

Clique na tirinha para aumentá-la

15 de abril de 2016

Outros seres



Era madrugada, pouco movimento na rodovia, um motorista cansado. O estrondo, a batida de frente entre dois caminhões. Bélica ficou prensada pelas duas máquinas gigantes, pois havia tentado impedir a colisão se colocando entre os caminhões. Sua armadura cobriu-lhe totalmente na hora do impacto, evitando ferimentos fatais, mas não foi suficiente para impedir fraturas e perfurações. As máquinas eram poderosas demais.  
— Tem uma mulher aqui — ela ouviu alguém dizer. 
Olhou para si e notou que sua vestimenta de metal havia se escondido dentro do corpo. Estava trajando uma camiseta branca e jeans, mas a roupa encontrava-se em farrapos. Por quanto tempo havia apagado? 
— Fique calma, vamos tirar você daí — era um bombeiro. 
Bélica assentiu e notou que parte da ferragem transpassava o seu corpo humano, na região da cintura. Talvez um movimento brusco e um órgão vital seria afetado. A armadura viva não daria as caras na frente daquelas pessoas, de modo que estava por conta dos humanos. 
Bélica observou que mais pessoas se aglomeraram no local do acidente, mas custou a acreditar que não estavam ali para ajudar. Eles subiam em ambos os caminhões para saquear a carga. Não havia policiais suficientes para contê-los. Precisava de ajuda de outros seres.
Outro barulho. Buzina, freada, outro caminhão e mais nada.             

12 de abril de 2016

Clube da Luta de Chuck Palahniuk


A primeira regra do Clube da Luta é não falar do Clube da Luta 

Clube da Luta é um livro de Chuck Palahniuk, cuja premissa é contar uma história sob a visão de um narrador com problemas psicológicos.

O leitor tem a impressão de que a saga começa pelo fim ou de que a cena crucial da história já é despejada imediatamente. Embora não se possa atestar de forma efetiva o que ocorre em toda a saga, já que estamos limitados pelos olhos do narrador que, sequer é nomeado e possui sérios desvios psicológicos, Palahniuk nos apresenta um drama multifocal e perturbador. O mode do narrador perceber o mundo, fracionado, incompreensível, opressivo, reflete bem os dias atuais.

Não se trata de uma leitura simples e nem esclarecedora. Confusa em muitos pontos por sua própria natureza, o Clube da Luta apresenta o narrador/personagem e sua relação com Tyler Durden, seu amigo e companheiro de quarto. Há também a relação amorosa entre o narrador, Tyler e Marla, esta terceira uma garota que o narrador conheceu em um grupo de apoio aos doentes de câncer. Tanto ele quanto ela não possuem doença alguma, mas frequentam o grupo. Tyler pede para que o narrador o acerte para valer. Ele hesita, mas acaba cedendo. O resultado é bom. Está criado o Clube da Luta, mas não se pode falar dele.  

Chuck Palahniuk trabalha a loucura e a subjetividade ao longo da história de um modo interessante. Clube da Luta representa o próprio mundo, no qual somos inseridos. Ele bate e é preciso aprender a revidar ou suportar a dor. As emoções humanas e o ambiente no qual somos inseridos são elementos constantes e interferem de forma direta ou paulatinamente no que o narrador entende de si mesmo. Até mesmo a forma de narrar utilizada parece pensada. frases curtas, de impacto e desprovidas de conectivos, cuja impressão é a de que golpeiam os leitores. O narrador também é atropelado por si mesmo. 

Em suma um livro original, de leitura complexa. Talvez seja necessário mais de uma para se compreender os pormenores ou as entrelinhas. Desanimador no começo pela novidade excessiva da narrativa, mas que com o tempo vai ganhando corpo e indícios de compreensão. No final, se alguém nos observasse sem ser humano, acharia também que somos todos loucos.

Fica a dica e a resenha.             

7 de abril de 2016

O capítulo 9 de Estela foi adicionado no Wattpad



Mais um capítulo foi adicionado ao livro digital de Estela que está no Wattpad. Dessa vez o 9. Nele nos encontramos com as Ninas,personagens apresentados em Ester, primeiro livro da trilogia Estrela.

Confira o novo capítulo no link:


Todos os sete capítulos anteriores podem ser lidos aqui:


Se você quiser ler os demais, pode comprar o e-book ou livro impresso no link:


Abraço.