23 de fevereiro de 2018

O Trem do Tempo de Arlene Padrão


Uma viagem pelo nosso passado

Arlene Padrão é natural de Mogi Guaçu, mas se fixou em Aguaí e de lá vem escrevendo histórias para adultos e crianças. O Trem do Tempo é o seu primeiro livro e conta a história da formação da cidade de Aguaí, seus personagens e "causos". O trem segue seu itinerário e alcança histórias atuais e curiosidades.

O livro começa com a narrativa da própria história da autora, sua constante mudança de domicílio e sua infância, sem deixar de fazer um paralelo com o que ocorria em maior escala na região. Depois, Arlene explora personagens lendários do município de Aguaí que, em muitos casos, tem ligação com outras cidades da região, já que o começo da história de várias cidades se deram pelas mesmas causas. Perpassa pelo ambiente estabelecido pela Revolução de 32 na região, fornecendo muitos dados históricos e curiosidades. Embora não seja um livro de história propriamente dito, O Trem do Tempo é fruto de muita pesquisa e levantamento histórico. Arlene cita suas fontes e deixa claro sua intenção: quer resgatar o passado do seu meio e sua própria identidade. 

Nisso obteve sucesso como poucos seriam capazes. Com uma escrita limpa, coesa e precisa a autora resgata a identidade das nossas terras. Lembranças, personagens e grandes acontecimentos estão, agora, preservados nas linhas desta obra e podem ser "acionados" por todos. Minha experiência com o livro foi edificante e me fez conhecer fatos importantes sobre o chão que piso. Que bom! 

Fica a resenha e a dica.
Abraço! 

20 de fevereiro de 2018

O Segredo da Lancheira - Marcos Cunha


A magia de um tempo que se foi

O Segredo da Lancheira é o primeiro livro de Marcos Cunha, escritor e membro da Academia Guaçuana de Letras. Tal obra, voltada ao público infantil, tem os desenhos da talentosa Juliana Bueno e será lançada no dia 10 de dezembro de 2018, ás 10h no Centro Cultural de Mogi Guaçu/SP. Eu tive acesso ao livro antes do seu lançamento e preparei a presente resenha com muito entusiasmo. 

O livro infantil narra a aventura de Didi, um típico menino do interior do Estado de São Paulo dos anos 70 em um dia de aula. Tudo começa com o personagem saindo de sua casa para ir à escola, portando sua preciosa lancheira vermelha de tampa branca que, além de guardar o lance preparado com muito carinho por sua mãe, guarda um segredo. Tudo corre bem sob o olhar atento da professora, mas quando os alunos saem para o recreio, Jessé, o companheiro "bagunceiro" de Didi apronta uma das suas. Ele vai até a classe vazia e mexe na lancheira de Didi, descobrindo o segredo até então guardado a sete chaves. 

Marcos Cunha consegue estabelecer uma conexão com as crianças de hoje, mesmo ambientando sua história em tempo remoto, pois os problemas abordados ainda são os mesmos. O emocional das crianças, a vergonha, a humilhação, temas tão presentes (infelizmente) no ambiente escolar. Deixar a casa dos pais para ganhar o mundo da escola nem sempre é uma tarefa fácil e a obra aborda justamente esta passagem. É preciso crescer... Entretanto, é pertinente reconhecer o seu espaço, o seu tempo e sua própria história. Aos mais saudosos fica a boa representação de uma cidade que mudou muito, assim como seus habitantes. 

Um livro bonito, colorido, bem ilustrado e editado pela editora Compacta, cuja mensagem atual o torna leitura indispensável para pais e crianças em período escolar. Marcos Cunha é um autor acostumado a nossas crianças e deixa claro nesta obra sua afinidade com elas. Já o imaginamos contando a história de Didi com a magia que só um contador de histórias é capaz de "conjurar".   

Fica a resenha e a dica.



Para comprar o livro antes do lançamento, clique aqui.

Para ver detalhes do lançamento, aqui. 

9 de fevereiro de 2018

Inspirados lança novo CD



O grupo de rap guaçuano Inspirados lançou recentemente o seu novo trabalho musical. Trata-se do disco "Sigo assim". O CD possui seis faixas e uma bônus na qual os Mcs guaçuanos cantam em parceria com Mcs angolanos.

O disco pode ser adquirido na página oficial do grupo


pelo preço de R$ 5,00 (cinco reais), mais o frete.

O trabalho merece destaque por abordar temas regionais, identidade cultural e  mostrar uma Mogi Guaçu verdadeira sob diversos pontos de vista. Da nossas características interioranas, da periferia e do amor ao nosso chão, tudo com rimas puntuais e boa música. 

Em suma, a arte tem muitas facetas e os Inspirados exploram estes caminhos, fornecendo uma ótica toda própria sobre nossa cidade. A música "Refém" é um bom exemplo disso. 

Eu ouvi, eu gostei e sou fã dos garotos. 

Fica a dica.    



  

5 de fevereiro de 2018

O primeiro capítulo de Rainha (Prólogo)




Prólogo

Sentada, de frente consigo mesma refletida no espelho, Raira Brenemberg pensava se realmente daria certo. Tinha dúvidas, mais nada. O camarim era bem iluminado e bem vedado ao som. Quase não se ouvia o alvoroço, o seu show. A roupa branca descansava no cabide de madeira preso em um gancho ao lado da penteadeira, faltava pouco para se apresentar à multidão. Pessoas, gente que sentiam.
O que valorizavam? O que realmente tinha importância? Perguntas desta ordem estavam em sua mente há algum tempo. Tinham se tornado ideia fixa, obsessão, esperança. Tocou o espelho com a palma da mão direita. Fitava-se, não via nada. O roupão caiu-lhe do ombro. Os ombros eram todos iguais. 
Com o frescor da juventude, bela, famosa, sem perspectiva. Na verdade, apenas uma, o plano. Tinha se agarrado a ele, era o que evitava o seu definhamento completo. Sem ele já teria sucumbido, mas sucumbir por sucumbir era como viver por viver. Não era isso. Por isso o plano, por isso. Os últimos dias foram cruciais para levá-la a concluir sobre o definhamento puro e simples, havia estado internada e quase perdera a vida. Droga, álcool, alucinação e quase a morte. Definitivamente não funcionava. Seria uma catástrofe se perdesse a vida daquela maneira, tão fútil, tão repugnante. 
Dois toques na porta antecederam a abertura. Pelo espelho ela reconheceu o visitante, sorriu-lhe. O homem vestia-se de forma peculiar, paletó vermelho, assim como a calça social, camisa branca e gravata rubra. Sua pele era demasiadamente alva. A doença agradava Raira, um ombro diferente. Eram amigos, amantes, cúmplices. Pelo menos na mente dele. João não via como Raira, não podia, nunca poderia, mas era fiel. Não era o único. 
— Este será o último — ela disse ainda presa com os olhos no espelho. 
Ele agarrou um cacho de uvas que descansava em uma bandeja na mesa central. 
— Eu sei. Só falta um detalhe: quem. 
Ela fitou-lhe pelo espelho.
— Ele surgirá — levantou-se e afrouxou a faixa do roupão. 
Agarrou o cabide com a vestimenta para apresentação.
Escuro. A excitação do público, o anúncio. Chamas artificiais perpassaram pelo vasto palco e do alto desceu a plataforma de Raira. As luzes focalizam-na. Vestia-se com mine-blusa branca e saia agarrada de mesma coloração. Trajava botas e luvas claras que se harmonizavam com seu cabelo comprido, alvo. Os olhos acinzentados, envoltos por maquiagem sobressaíam do rosto pálido ao passo que os lábios finos, contornados por batom branco expressavam sorriso. Tinha o corpo bonito à mostra devido ao traje de pouco tecido. Contava dezesseis anos naquela oportunidade. 
Atrás, a banda apareceu quando as luzes do palco se acenderam por completo e o efeito incandescente cessou. Os primeiros acordes da música começaram a ser tocados para o delírio completo dos espectadores. Sem pausa foram apresentadas três canções do álbum atual da cantora. 
No final da última música daquela seleção as luzes se apagaram. Ouvia-se ainda o som dos derradeiros acordes. Quando o palco se acendeu novamente, os holofotes focaram a cantora.
— Boa noite, Peões! — disse Raira Brenemberg do alto do palco para o seu público de aproximadamente quarenta mil pessoas. 
Novo alvoroço.
— É uma honra estar aqui com vocês esta noite. Levantem o Salvo!  
Muitas pessoas levantaram os braços para mostrar um aparelho semelhante a um celular, cuja tela acesa começou a balançar em ritmo impreciso. 
O que aquelas pessoas haviam vivido até aquele momento? A pergunta veio à mente de Raira enquanto respirava com euforia. O suor lhe escorria pela testa maquiada e a pele reluzia por conta da purpurina prateada misturada ao suor. Ela continuou: 
— A próxima música é para todos que sabem viver com intensidade. Àqueles que possuem um motivo para dar a vida. Vou enviar em tempo real a versão que cantar agora para todos que estiverem com o Salvo ligado. 
A canção começou a ser tocada pela banda e as luzes voltaram a piscar multicoloridas

26 de janeiro de 2018

Fezesman - Maior do que eu

clique na tirinha para aumentá-la

22 de janeiro de 2018

Voltando a Fita 2017


Olá, amigos leitores, como vão? 2018 começou há quase um mês, mas ainda é pertinente falarmos do que aconteceu no blog no ano de 2017. Foi um ano de menos postagens, mas muito produtivo, segundo este que vos escreve. Vocês já sabem como funciona, o texto possui diversos links que remetem às postagens mencionadas. 

Em janeiro de 2017 divulguei o primeiro capítulo de Ester e a tirinha do Feszesman, intitulada de "contraditório". Finalizei o mês com um texto sobre Dom Casmurro de Machado de Assis. Fevereiro foi o mês de resenhar A Hora da Estrela de Clarice Lispector e publicar o primeiro capítulo de Edissa. Março, por sua vez, resenhei Diário de um Banana de Jeff Kinney, divulguei o primeiro capítulo de Estela e o primeiro capítulo de La Bandida. Também postem a tirinha antigo e atual de Fezesmana

Já em abril Fezesman apareceu com a tirinha "merda mesmo" e resenhei O Silêncio das Montanhas de Khaled Hosseini. Maio publiquei o conto "A história do primeiro vendedor de laranjas do mundo" (a postagem mais vista do ano!) e a charge "O depoimento do Fezesman". No mês de junho publiquei o conto "Um sorriso e um olhar" e a tirinha "Fezesman - Respeito sua opinião sobre mim".  

Para julho ficou a resenha de Entremundos - Neil Gaiman e Michael Reaves e o conto "Vantagem". Agosto publiquei a tirinha "Fezesman - impedido ou não?", além de resenhar À Sua Porta do meu amigo Oscar Mendes Filho. Em setembro teve "Fezesman, o juiz de merda", o conto "A Máquina" e a resenha de 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo da autora Mo Daviau. 

No último trimestre do ano, outubro para ser exato, só divulguei o capítulo treze de Estela publicado no Wattpad. Em novembro resenhei A Livraria Mágica de Paris de Nina George, fiz a tirinha "Fezesman - O que você tem na cabeça?," resenhei O Curioso Caso de Benjamin Button e finalizei o mês com o conto "Uma menina e uma cadeira".  Dezembro  foi mês de duas resenhas. Do livro Anna e o Planeta e de Quentin tem que morrer. 

Não foi um bom ano? Espero que 2018 seja ainda melhor. 
Abraço! 
Paul Law